Poema pra você
De Marko da Lama, extraído da revista Pará Zero Zero
Foto: Manoel do Vale
Desaba de manhã,
como uma grande implosão,
esta segunda-feira,
e mesmo com a fiel astenia
faço-lhe referências em meu dia.
Há vários dias
que estou com você por aqui.
Pra você é esse poema tossido,
palavras de catarro são para você,
vírus verbais são para você.
Esse poema é para você
(fique vulnerável),
esse poema é para você adoecer,
é para você hospitalizar-se
em meu esquecimento,
é para você apodrecer,
esse poema é para você morrer...
Escrito por Luli às 17h12
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Coisas que eu disse pra mim
Hoje, às seis e meia da manhã, em frente ao fogão, com uma chaleira de água na mão: “Meu Deus, acabou o fósforo!”
Seis e quarenta, na frente do portão de casa, com a intenção de comprar fósforos, olhando para todos os botecos fechados e diante da impossibilidade de fazer o café e depois sentar na rede, lembrando do Manuel Bandeira, e como ele, ficar humildemente pensando na vida e nos homens que amei: “Minha vida por uma caixa de fósforos...”.
Estava dando meu dia por perdido quando avisto, do outro lado da rua, o amigo Francisco Terragônio, poeta, boêmio, com a maior cara de quem estava indo dormir, mas pronto para acender um cigarro, com uma caixinha de fósforos novinha. “Bem-vindo, anjo da guarda”.
Às sete horas da manhã, já tomando meu café na rede da varanda, onde os bem-te-vis vêm comer a ração das minhas cachorras: “Lá vem aquela mala de carro de som do Moisés Alcolumbre...”
Vou para a escola cumprir minha obrigação de funcionária pública dedicada e lá digo uma série de coisas pra mim mesma. Uma delas, quem sabe a menos prosaica, disse depois de ter ouvido uma professora defendendo a idéia de vender o voto, mesmo que seja por duas telhas de brasilit, pois não acredita mais nos políticos: “E na hora do almoço ainda vou ter que agüentar os quinze minutos do Sebastiãozinho no horário político”. A professora me pergunta “o que?”
Fim do expediente na escola. Vou buscar minha filha em outra escola. Na volta encontro um amigo muito querido que sentiu minha falta em um evento de ontem. Vou almoçar feliz, apesar do Sebastiãozinho enchendo lingüiça na telinha: “A vida é a arte do encontro...”, suspiro, sem me lembrar do autor. Dessa vez é minha filha quem diz “o que?”
Agora, enquanto atualizo este blog, esquecido por mais de dez dias, chega um visitante e começa a falar da pesquisa do Ibope divulgada hoje em Macapá. Então digo uma das últimas do dia, pois não costumo falar sozinha depois das 22 horas. “A Janete já é prefeita, meu blog querido!”
Escrito por Luli às 21h23
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