Flores da Amazônia para o Elson...
Foto: Manoel do Vale
Vamos logo avisando aos acreanos que nós, amapaenses, queremos o Elson Martins de volta. Quem mandou eles deixarem um filho daquelas cabeceiras de rio por tanto tempo espalhando por aqui as sementes das suas boas idéias? Agora ele é nosso, embora saibamos que nasceu no Acre. Nascer, por nascer, nós (eu) nascemos no Paraná... mas quando nos perguntam de onde somos, somos da Amazônia. Estamos há vinte anos por aqui, vigiando as chuvas, as árvores, os rios, as garças e outras aves, e escrevendo alguma coisa.
O tempo que o Elson Martins viveu no Amapá (e ainda vive, pois nos recusamos a aceitar que passe mais tempo lá do que aqui) foi suficiente para fazer dele um amapaense de raiz. Não só pelo tempo, que esse às vezes passa por nós adormecendo nossas vontades... o Elson cuidou das nossas almas e ajudou muito jornalista perdido a encontrar a direção certa.
Se hoje a gente não consegue engolir o instinto oportunista de muito jornalista que tinha tudo pra ser gente boa e que atua nos nossos torrões, é culpa do Elson. Graças também a ele, fazemos textos honestos, não babamos ovo em cima do poder, nos mantemos firmes na nossa ideologia de amor à Amazônia e somos felizes com a nossa disposição e a nossa esperança de poder fazer sempre mais com interesse no bem coletivo.
Elson Martins está conosco por estes dias, nos trouxe novas idéias e fôlego para as idéias antigas. Enquanto o Jorge Viana agüentar sua ausência no Acre, vamos aproveitando sua energia renovadora e aprendendo a ser um pouco como ele, se Deus nos ajudar. E vamos avisando de novo: o Acre que se cuide!
Escrito por Luli às 19h36
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Se fosse sábado...
Esta segunda-feira nos pegou mesmo de surpresa. Ontem à noite fomos dormir embalados pela esperança de poder acordar em plena manhã de sábado, e só então fazer o que poderia ter sido feito neste fim de semana. Mas este dia ingrato em que temos que estar em pé às seis horas há de nos compensar pelo desaforo de ter que levar nossas meninas para a escola e depois passar toda a manhã atrás de uma mesa, dentro de uma sala refrigerada e sem janelas, enquanto lá fora o sol brinca de colorir as ondas do rio e o vento de perseguir os galhos das árvores.
Pensamos nisso antes de nos levantar. Choveu durante a noite, provavelmente, e nós nem ouvimos. É a cor do dia que nos diz. Desligamos o despertador do telefone celular que de dez em dez minutos grita que já é hora, e fechamos os olhos para a claridade pálida da janela. Ficamos uns instantes pensando sobre o final de semana e nos lembramos do que nos disse um amigo, no sábado à noite, sobre a meditação.
Meditar, que boa lembrança. Imaginamos que deve ser bem relaxante meditar ao amanhecer. Tentamos... mas devemos ter tentado da forma errada, porque não se passaram três minutos antes de tornarmos a dormir. Então aprendemos algo importante: meditar deitado ao amanhecer é perigoso para a pontualidade. Eram seis e meia e estávamos atrasadíssimos para a segunda-feira.
Se fosse sábado, poderiam ser oito, nove, dez horas e não importaria. E então iríamos comprar peixe e extrair a poesia que há no cais do Igarapé das Mulheres, onde “as margaridas fazem cor”, iríamos procurar os restos mortais do velho trapiche, que a Márcia nos disse ter visto, iríamos nos sentar no arrimo da beira do rio e ficaríamos esperando um barquinho de papel, uma garrafa de náufrago... ou apenas ficaríamos a lembrar daqueles olhos “grandes, redondos e pretos”, que “tempos depois ainda ficam pregados na gente, como botões”.
Já é quase noite, e a compensação que eu esperava deste dia ingrato não veio. Mas veio uma crise alérgica respiratória que me impediu de trabalhar durante a tarde e de sentir o cheiro da jaqueira minha amiga que mora no quintal ao lado. Let it be... semana que vem tem outra segunda-feira, mas o que há de bom nisso é que antes dela tem um sábado.
Escrito por Luli às 20h47
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